02 Setembro 2007

mudanças

agora estou aqui sambambaia, ever

12 Junho 2006

Definitivo (pero...)

poderia dar cem motivos.
dou dois: a flor já existe. o calabouço ficou quase inexistente.
e ainda há um terceiro:
não faz mais sentido escrever aqui.
perdeu a graça e o mote.

mas podem me encontrar em o ponto, porque sempre há um novo ponto de partida.

03 Junho 2006

Trivial Completo (e uma lagrima escorre de canto)

Era o décimo café do dia. E não estou falando daquelas xicárazinha polida e tímida de servir às visitas, mas sim daquela grande, de viciado mesmo, daquela que quase transborda e sempre deixa caber mais um gole da bebida.
Sim, era o décimo e ainda o sol não havia se posto. Sentou para escrever, porque precisa, não porque tenha algo a falar. A vida inteira mudara, era assim que sentia. E não foi aos poucos. Foi assim, de repente, porém, nem por isso, todas as ações do passado deixaram de marcar o presente.
Antes fosse, quem dera...
E era só o décimo café. E o gosto do primeiro beijo veio-lhe à boca. E abriu os olhos e o menino do qual, pensando direito, nem gostava. Beijou-o apenas porque todas as amigas tinham beijado já. Típica adolescente idiota do início dos anos 90. Encontrou-o recentemente, por acaso. Está alto, até bonito, mas o que lhe chamou atenção mesmo, foi a placidez e a serenidade no olhar, coisa que nenhum adolescente tem e sentou por ele toda a ternura que faltara naquela saída da escola, isso há mais de uma década atrás.

E antes desse décimo café, nessa mesma semana, todos os passados voltaram ao presente. Pessoas, rostos antes distorcidos e agora quase que desconhecidos. Homens que amara, mulheres que invejara e outras pelas quais nutria grande afeição e agora nada... como as coisas mudaram e como ela não se sente mudada.

Não obstante a nova situação. A menina encolhida no canto da sala, segurando os joelhos ainda tem parentescos com ela. E essa menina está ali, nesse exato momento, corta os pulsos pela milésima vez, só que agora já descobriu que ninguém virá ao seu auxílio. Ela suturará o corte, limpará as manchas de sangue, enfim vai adiante.

Mas sempre haverá o sempre que não aconteceu.

Ouvindo: Send in the clouds, Judy Collins

20 Maio 2006

Balança e cai.

(imagem por PostSecret)
é tanta coisa nessa vida que a balança pendeu e caiu.
e o meu coração se espatifou.
(a única coisa que compensa é o sorriso da pequena quando chego junto ao berço.)

...

vira e mexe penso no filho que não tive. naquele que morreu e percebo que a mágoa ainda não passou e no fundo isso me faz um mal danado. choro engasgado e podre pela perda e pela circunstância. a falta de cuidado das pessoas, sabe?

...

e penso também nos filhos que não quero ter. porque estou saturada.

...

fatura do cartão de crédito, salário que acaba antes do mês, coisas que atravacam não deviam constar nessa encarnação.

...

"deixe seu recado na caixa postal."

...

tá na hora do cartão vermelho.

19 Maio 2006

De tudo que aconteceu e mais um pouco.



E não é que, finalmente, veio à tona a praça de guerra em que se transformou a cidade de São Paulo. Sei que dizer isso é lugar comum, mas foi isso que me veio à cabeça quando prenderam um vizinho da minha mãe sob a acusação dele ser do PCC. (imagina o esquadrão anti-bomba da PM baixando em um prédio residencial...)

E foi dia das mães. O meu primeiro. E eu fiquei b-e-s-t-a. Porque a minha filha é uma bebéia-gata, uma diva, enfim.

E eu sou um vulcão em atividade.

12 Maio 2006

Das tres leis.

LEI DA INÈRCIA:

Você está parado, tende a ficar parado. Você está andando, mas é preguiçoso (ou sabe o lado bom da vida, ou tem A companhia ideal...)quer imediatamente voltar a ficar parado.

LEI DA GRAVIDADE:

Tudo cai, até mesmo o peito siliconado daquela loira essssperrrrta que te causa ira por ter o corpitcho que você queria ter nessa encarnação, mas que insiste firmemente em ficar para a próxima.

LEI DE MURPHY:

A lei suprema. Superior a primeira lei, pois se você está parado e quer continuar assim, vem esta lei e te coloca para dançar no miudinho. Se você quer continuar andando, ela torna a sua singela caminhada uma singular corrida de obstáculos na qual você se vê suado, fedorento e ainda por cima em último lugar.
Esta lei ainda potencializa a lei da gravidade, sob a ação dela, as coisas não caem, despencam em você ou sobre você.

Tenho dito.

09 Maio 2006

Uma questao de tempo.

Estou reavaliando algumas coisas, por isso estou sumida. Fora isso, tanto eu como o D. e a Aninha ficamos doentes e acabamos meio derrubados. Estive envolta em cuidados com ela e agora estou mais centrada em mim e na minha família.

É só uma questão de tempo e eu volto.

26 Abril 2006

just alive

os dias passam e as histórias se acumulam, como quando pensávamos ser só sonho enquanto a realidade se acumulava fora do nosso quarto de dormir. as coisas mudam. pessoas se vão e outras nascem, é inevitável não pensar que isso seria o modo de regular a densidade demográfica do planeta, mas isso não explica a saudade nem a dor da perda.

e a realidade se acumulava e sem que percebessemos, entrava aos poucos e repousava na nossa cama, entre nós. as contas, as pessoas, os telefonemas. o mundo se interpondo. e as coisas todas acontecendo num ritmo frenético e eu ainda bambeando as pernas só de pensar em você e em como você é lindo e tudo mais. ainda apaixonada.

o amante que ainda existe, pelo menos para mim. enquanto a realidade tomava peso. tão sólida quanto desejava ser. e formava barreiras, algumas intransponíveis. como quando você perdeu a aliança durante o banho. eu não vi. você falou e eu acreditei. naquela época, eu ainda acreditava. agora não sei. existe a realidade e por mais real que seja, ainda há muitas mentiras por ai.

houve um tempo que eu queria parar o mundo. sabe, naquele momento. no primeiro beijo, no primeiro orgasmo, ou mesmo, quando sem ainda saber que seríamos o que somos hoje, você deixou que eu me deitasse em seu colo e ficou enrolando os meus cabelos em seus dedos. eu me senti tão sua, tão realmente sua que até sonhei com você naquela noite.

queria congelar imagens e gestos. as pessoas são os gestos. o seu jeito de me puxar para si. o jeito só seu. e seus antepassados aventureiros. as suas histórias.

mas ai vem a realidade. e eu olho ao meu redor e vejo o seu sorriso lindo e o sorriso dela. ela que me apresentou o amor convergente. aquele de todas as formas que culmina em um só ser. ela que tem todo o meu ser e nem sabe ainda. ela que tem a sua cara e o meu gênio. manhosa e gata. ai eu penso que terei trabalho.

e quando eu me dou por conta, a nossa realidade existe. construindo-se dia-a-dia, gesto a gesto, sonho a sonho. e eu me pego pensando em coisas bobas, tipo: quando eu sonhava com tudo isso e achava impossível de acontecer.

09 Abril 2006

Flores e Urubus


as palavras que mais aparecem no blogue.



Ótimo texto do Luiz Caversan, sobre depressão e deprimidos. Não é novidade para ninguém que seja circustante a mim que eu sofro disso e do nada todos os meus dias azuis ficam muito, muito cinzas e do nada voltam para um azulzinho pálido e as pessoas me dizem que estou "só deprimida" ou mesmo que "preciso de Deus no coração". Ai eu me lembro da minha mãe me dizendo isso quando eu tinha pouco 11 anos e o que seria isso para uma criança. E então eu percebo que devo ser depressiva desde o berço.
Não porque eu quero, não porque seja cool (porquê, infernos, tem gente que acha que seja), mas porque simplesmente é assim e porque tem dias que eu acho muito complicado e dolorido ser eu, mesmo quando fico empurrando o carrinho da Aninha na praça perto de casa e sendo (aos olhos alheios) a pessoa mais comum do planeta e também uma das mais felizes.
Lembro-me de um texto que escrevi há tempos sobre como eu queria ser uma pessoa normal. Mas eu sou e o texto perdeu toda a razão de ser. Levo uma vida perfeitamente comum. Lavo roupa, louça, cuido da arrumação da casa, vou ao supermercado, faço compras, espero o D. chegar do trabalho para jantarmos juntos a comida que eu mesma cozinho, em suma, uma vidinha quase desperate housewives e acho que seria muito da boa se não fosse esse desperate que me ronda e uiva para mim.
A depressão está aqui e se manifesta sem pedir permissão. Quando lembro de coisas, quando escuto algumas músicas, quando vejo algo tristemente belo e até mesmo quando eu olho para as pessoas que eu amo, porque tenho medo de perdê-las e o meu monstro interior me diz sempre que isso acontecerá porque eu não sou perfeita, fracasso demais e vou acabar me desconjuntando em erros antes de ser feliz de verdade.
Não que eu esteja infeliz por agora. Estou feliz, mas consciente. Porque se eu não ficar a postos, deixo de ser eu mesma.

SentindoPensativa.
Ouvindo My heart is so full, Morrissey.

01 Abril 2006

Promessas Descumpridas


tinha se prometido tanta coisa. como alguém que reflorece para a vida inteira. inteiramente nova. mas, caiu em cacos. e foi-se deixando pelo caminho. a sua mente confabulando conspirações fantasticamente fantasiosas que sempre a levavam ao fracasso. toda mulher precisa sentir-se encantada. alguém precisa dizer isso a ela ou olhá-la assim. e os cacos?

tinha se prometido ser leve. pesou-se idéias e conjecturas de brigas e discussões inteiras. e o mundo dando voltas e mais voltas e ela ali lutando com todas as armas e lágrimas contra um inimigo invisível e prontamente mais forte. foram tantos cruzados e diretos que acabou caindo tonta. em cacos.

tinha se prometido mais risadas. e via a risada em outro rosto e isso sim era indício de felicidade. mas seu, somente um enfileiramento de dentes mostrados a esmo e sem razão aparente. ria. e não sabia mais o que fazer. juntar os cacos.

tinha se prometido ficar. ir embora virou idéia fixa. mas para onde e porquê, ainda não sabia. porque nada fazia sentido algum para alguém cheio de fantasmas internos que contam histórias como se fossem verdades absolutas e fazem da vida um desfiar de dias de perseguição.

tinha se prometido a segurança. vivia na indefinição de palavras e ações. tentava adivinhar sentimentos onde haviam somente borrões e traços e ainda, uma vez mais, cacos.

SentindoMulher em cacos.
Ouvindo Crying, Björk.